quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que é o vaginismo?

O Vaginismo é uma contracção vaginal que causa desconforto, ardência, dor, problemas de penetração ou total incapacidade de ter relações sexuais.

O estreitamento vaginal resulta da contracção involuntária do assoalho pélvico, especialmente o músculo pubococcígeo (músculo PC), embora a mulher possa não estar ciente de que esta é a causa da dor ou dificuldades de penetração.

O vaginismo é uma causa comum de dor sexual contínua . A dor sexual pode afectar as mulheres em todas as fases da vida; mesmo aquelas que, durante anos, tiveram sexo sem dificuldades. Ainda que algum desconforto temporário durante a relação sexual seja normal, problemas frequentes devem ser diagnosticados e tratados.

O vaginismo é considerado um dos distúrbios sexuais femininos tratáveis com maior sucesso. Muitos estudos demonstraram que as taxas de sucesso no tratamento chegam a quase 100%. O tratamento segue um processo fácil, em formato passo-a-passo.

O que acontece com o meu corpo?

Reagindo à antecipação da dor, o corpo automaticamente contrai os músculos vaginais, fechando-se para se proteger de algum perigo. O sexo se torna doloroso ou desconfortável, e a penetração pode ser mais difícil ou impossível, dependendo da gravidade do caso. Com as tentativas de sexo, qualquer desconforto resultante reforça ainda mais o reflexo da contração, de forma que ele se intensifica mais. O corpo sente mais dor e reage “apertando” ainda mais os músculos, em um círculo vicioso, reforçando esta resposta e criando um ciclo da dor.















A antecipação da dor, ansiedades emocionais ou mensagens sexuais não saudáveis podem contribuir para reforçar os sintomas do vaginismo. Frequentemente, mas nem sempre, existem sentimentos negativos subliminares de ansiedade associados com a penetração vaginal.

O vaginismo é altamente tratável. O tratamento bem-sucedido do vaginismo não requer medicamentos, cirurgia, hipnose, nem qualquer outra técnica invasiva complexa. As etapas de tratamento muitas vezes podem ser concluídas em casa, permitindo que a mulher tenha o seu próprio ritmo em privacidade mas em cooperação com seu profissional da terapia sexual.

Se acredita que pode estar a sofrer de vaginismo, contacte-nos. No 180 Terapias Acores podemos ajudar.



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Satisfeita com o sexo oral que recebe?

Como é possível que uma prática sexual tão excitante tenha sido batizada de uma maneira tão feia: cunilíngua, que mais não é do que acarinhar o sexo feminino com a boca e inclusive praticar uma espécie de penetração com a língua, excitando especialmente a vulva, o clítoris e a entrada da vagina. A palavra que deriva da união de cunnus (vulva) e lingere  (lamber) soa a qualquer coisa menos a prazenteira experiência que (nos) supõe estimular os órgãos sexuais femininos. De facto, depois da masturbação, o cunnilingus ou sexo oral é a segunda maneira mais efetiva para uma mulher alcançar o orgasmo.

Mas muitas mulheres não desfrutam com o sexo oral  que recebem, inclusivamente sentem-se  incómodas com esta técnica. Cada uma gosta do que gosta, e considera o que é “normal” nas suas relaçoes sexuais. “Evidentemente não podemos obrigar ninguém a fazer o que não quer, mas sim devemos perguntar-lhe o porque não gosta no sexo oral”, diz a sexóloga Ana L. Talavera. “Um dos motivos mais comuns pelos quais não se sentem satisfeitas com o sexo oral deve-se aos medos que essa técnica pode provocar. Ninguém nos fala deste assunto, da mesma forma que ninguém nos fala sobre o como devemos masturbar-nos”.

Ainda há mulheres em processo de libertar-se da vergonha sexual de ter o(a) seu(ua) parceiro(a) perto e mais da vergonha pessoal que lhes provoca expor os seus próprios genitais. “Para elas a ideia do cunnilingus pode gerar  poderosas imagens do corpo ou pode alimentar os medos em relação ao aspeto do seus genitais, o cheiro deles, ou o seu sabor –continua a sexóloga. No momento em que deviam estar a desfrutar, este tipo de mulheres está preocupada sobre o que pensará o seu/sua parceiro(a) delas e dos seus genitais”. Para além disso, sob o sexo feminino pesam preconceitos que falam de cheiros fortes e outras circunstâncias que podem provocar rejeiçao. O sexo cheira e é natural que também o dos homens. A soluçao recai sobre uma boa higene íntima e se o problema persiste, recorrer a uma consulta médica (caso exista algum problema).

Para além da fundamental higiene íntima (ninguém gosta de comer num prato sujo…), a segurança no momento de realizar o cunnilingus também é importante. O sexo oral é uma técnica com menos riscos de contágio do que o sexo anal ou vaginal, visto que a nossa boca está habituada a conviver com milhares de bactérias e é muito resistente. Mas não significa que não exista risco “caso o teu parceiro (a) tenha um herpes labial, não deveriam praticar sexo oral sem proteção. No caso dos rapazes um preservativo e no das raparigas um protetor bucal que é uma especie de lençol muito fininho, de forma quadrada que deve usar-se para cobrir a zona que vai lamber-se”, explica Ana L. Talavera.


As posturas para o cunnilingus

Esclarecido o assunto de ter a zona genital limpa e fresca, interessa conhecer a postura mais adequada para o cunnilingus.

Evidentemente será aquela na qual ambas pessoas estejam cómodas e onde a pessoa que dá o cunnilingus tenha um maior acesso para estimular os genitais da sua parceira”, aponta a sexóloga. Vamos propor-te algumas opções:

Caso queiras dominar a situaçao, esta é a posiçao para ti. Coloca-te sobre o teu parceiro (a), que estará deitado (a), deixando a sua cabeça entre os teus joelhos. Pede-lhe que ponha a língua de fora, enquanto tu, movimentas as tuas ancas para procurar a estimulação que procuras.















Outra postura, muito excitante, é sentada com as pernas abertas e o teu parceiro (a) ajoelhado (a) de frente para ti. Nesta posição, será a pessoa que dá o cunnilingus quem controla a experiência, embora devas sempre participar e possas fazer sugestões.






















Outras dicas:
- Eleva a sua pélvis com umas almofadas.
- Quanto maior abertura das pernas mais espaço terás para “trabalhar”.
- Podes fazer movimentos circulares com a língua sobre o clítoris ou fazer o alfabeto com a língua.
- Algumas mulheres gostam que lhes introduzam os dedos na vagina ao mesmo tempo que são estimuladas com a língua.
- É primordial ter em conta o ritmo, a maior parte das mulheres sente mais prazer com uma pressão firme e movimentos repetitivos.
- Mantem o contato visual com ela e esquece o relógio! Não se deve ter pressa.

“No caso de ambas as pessoas gostarem do jogo de dar e receber, a postura estrela seria o 69, ou seja a arte de sentir e fazer sentir ao mesmo tempo” diz a Ana Talavera.
Em relação aos pontos chave a estimular há que ter em conta duas coisas: que cada mulher tem a suas preferências e a sua sensibilidade da vulva e clítoris. Ou seja “ as preferências podem variar com o passar do tempo: o que hoje não gosto, amanhã pode ser que me deixe doida de prazer. Ou pode acontecer que as técnicas que punham maluca a tua ex, deixem a tua nova parceira fria”- e viceversa.

 O clítoris conta com milhares de terminações nervosas, mais do que em qualquer outra parte do nosso corpo. Esta sensibilidade merece certa delicadeza durante a estimulação.

Para encontrar a fórmula ideal de estimular com sexo oral “ uma das melhores estrategias é observar os sinais que emite o seu corpo perante as diferentes formas de estimulação”. Os gemidos, a sua respiração, a maneira como se mexe, são pistas fundamentais para saber o que é que ela gosta, mas também podes sempre perguntar-lhe diretamente e pedir-lhe que a sua mão atue como guia”.
No próximo post falaremos do sexo oral para eles!


Adaptação do texto escrito para o diário Ideal por Rocío R. Gavira e a sexóloga Ana López Talavera de PuntoTgranada.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Fantasias Eróticas

O assunto das fantasias eróticas ainda continua a ser difícil de abordar. Com frequência é associado à infantilidade, à imaturidade, ao engano ou ao pecado, tendo fortes conotações negativas.
Durante muito tempo foi um assunto tabu tal como o assunto da masturbação. São temas que provocam ambivalência nas pessoas, pois se por um lado interessam, por outro geram muita angústia. Provavelmente, muitas pessoas quando começaram a masturbar-se, temeram que esta liberdade no tocar-se, levasse à compulsividade, a não saber parar e dizer NÃO… e na realidade não é assim. A masturbação é uma forma de ouvir-se, de acarinhar-se, inclusive de aprender a tratar-se bem e a desenvolver-se eroticamente. Uma coisa similar acontece com as fantasias eróticas. Servem para conhecer  a nós próprios e como elemento de prazer.

Nas fantasias eróticas surgem pensamentos, imagens (processo mental), que acompanham sensações físicas (processo corporal) que podem ser vividas como agradáveis e prazerosas.

A fantasia é uma fonte de conhecimento pessoal, de possibilidades, de brincadeira: podemos ser qualquer tipo de personagem, muitas vezes aquelas que não teríamos coragem de ser na vida real. As fantasias devem ser entendidas como uma coisa positiva, que ensina (entre outras coisas) uma parte do nosso inconsciente, a ter prazer, a vivenciar diferentes emoções , brincar e criar com o imaginário e inclusive, que  pode nos ajudar a produzir mudanças na nossa vida real, naqueles âmbitos que desejamos.

As fantasias eróticas podem basear-se:
- Na lembrança de algum cenário vivido anteriormente- ex: um beijo, o calor dos lábios, a suavidade, a respiração…
- Na criação de cenários não vividos, mas que se desejam experimentar-ex: um encontro apaixonado
- Na criação fantasiosa de cenários não vividos, mas que NÃO se desejam realizar na vida real. Estas fantasias podem ser excitantes para a pessoa por simbolismos, associações emocionais de gestos, palavras, histórias…mas não deseja realizá-las porque são contrárias ao seu sistema de valores, ou por não considerá-las convenientes por variados motivos. Uma das fantasias não desejadas na realidade mais frequentes é a experiencia sexual forçada, assim como nesta categoria os cenários com zoofilias, também são frequentes.

Um dos grandes temores na abordagem das fantasias sexuais é a confusão entre o campo do imaginário e do real ( que são dos campos bem diferentes).

Na fantasia sexual, o campo é o da imaginação e aí tudo é permitido, não há limites, é como a criatividade, ilimitada! Pelo contrário a realidade tem limites. Não se pode fazer tudo o que se deseja: estão os limites da realidade, das normas sociais e os próprios limites que as outras pessoas nos põem, quando queremos partilhar alguma coisa com elas.

No campo do imaginário, não há perversões, nem traições, não existem fantasias boas ou más; há produções que expressam coisas, que revelam aspetos da pessoa que podem ajudar a perceber atitudes, valores, papéis do sujeito e da sua histoória passada ou da sua vida atual.
Por tudo isto podemos dizer que as fantasias eróticas são muito importantes e devem ser cultivadas, porque nos conectam com o prazer, nos ajudam a conhecer o que gostamos e como tal a nós próprios e realizam-se num espaço seguro (o nosso imaginário) ajudando-nos a empoderar-nos sexualmente.

Adaptação do texto "Psicoerotismo femenino y masculino" de Fina Sanz.


sábado, 5 de dezembro de 2015

Os mitos da sexualidade feminina e masculina

No 180 terapias acores acreditamos que a sexualidade da pessoa é uma parte do seu ser muito importante, por isso a partir de agora vamos começar a falar de sexualidade(s), e nada melhor que começar com os mitos que nos prendem e crenças que nos magoam.

As crenças e os mitos que temos sobre a sexualidade condicionam a nossa vida e  afastam-nos de nos próprios/as e de desfrutar do prazer sexual, seja sozinh@s ou acompanhad@s.

Nos próximos dias iremos postar diferentes mitos da sexualidade feminina e masculina, para que possamos pensar neles e desconstruí-los.

Nesta ideia de explorar os mitos junta-se a nós a  artista Vanessa Branco, que ilustrará alguns destes mitos com humor, mesmo sendo este um assunto sério!

Mito n°1 da sexualidade Feminina: “AS MULHERES NÃO GOSTAM DE SEXO”

Como todos os mitos, estes nascem de uma interpretação da realidade. Neste caso a verdade é que as mulheres não são educadas para que tenham desejo sexual, mas na realidade biologicamente não existe diferença entre a “quantidade” de desejo masculino e feminino.
Os homens são educados para que tenham muito desejo, para que desfrutem do seu corpo e da sua sexualidade  (uma obrigação para eles, porque caso contrário, deixam de ser considerados “homens”)  sendo o sexo considerado um prémio. No caso das mulheres, e para a mesma situação,  são educadas na ideia de que o sexo e o amor vão juntos. Por isso sem amor, não devem explorar a sua sexualidade nem entregar-se ao outr@, sem amor o sexo é mau e não tem importância na vida. Esta é a base deste mito, por isso claro que aparecem em consulta muitas mulheres que dizem não gostar de sexo, e que explicam que só têm relações sexuais para contentar aos seus companheiros, mas o certo é que as mulheres que conseguiram romper com esta educação e começaram a explorar-se, querer-se e desfrutar-se sem se julgarem a si próprias, GOSTAM do sexo!! E a boa noticia é que nunca é tarde para conhecer-nos a nós próprias!



Mito n° 1 da sexualidade masculina: 
“O HOMEM ESTÁ SEMPRE PRONTO PARA TER RELAÇOES SEXUAIS”


A crença de que o homem deve sempre estar preparado e com vontade de ter relações sexuais, vêm da associação que culturalmente se faz  em relação a que este  deve ser e estar sempre sexualmente ativo, quase que por um impulso “natural e incontrolável”, nas situações em que o homem não esteja sempre a pensar em sexo ou com vontade de o ter, isto significa que é “ menos homem” o seja…homossexual...(outro mito, virilidade= heterossexualidade masculina)


Na realidade o que acontece, é que tanto os homens como as mulheres, tem dias que tem vontade de praticar sexo e outros dias que não! Por isso quando um homem decide não querer ter relações sexuais, não faz dele menos homem nem significa que a sua orientação seja diferente à heterossexual, por não ser o “garanhão” esperado pela sociedade. A verdade é que ato de decidir não ter relações é parte do seu direito a decidir.

Estes dois mitos sobre a nossa sexualidade e outros dos que falaremos nos próximos dias, têm em comum o facto da opressão cultural a que tanto os homens como as mulheres estão sujeit@s, afeta as diferentes áreas da nossa vida, sendo a nossa sexualidade uma das mais afetadas. Mas para não ficarmos tristes é importante relembrar que estas algemas sociais são possíveis de abrir! Sozinh@s ou com ajuda!



Masturbação feminina: prazer e saúde

A masturbação, por incrível que pareça, ainda é tabu para muita gente. Se colocarmos as palavras “masturbação” e “pecado” juntas no Google encontraremos 360.000 referências. Não vi todas, é claro, mas a maioria das primeiras afirma que se trata de um pecado terrível. Também chequei aleatoriamente diversas páginas adiante e, da mesma forma, a maioria afirma tratar-se de um pecado. Mas se acrescentarmos a palavra “feminina”, algo surpreendente acontece. As primeiras referências são afirmações de que não é pecado se masturbar.

Eu imagino que a maioria das pessoas não acha mais que se trata de um pecado. Mas é interessante que muitos médicos e cientistas afirmam que, na verdade, esta prática é muito benéfica para a saúde, tanto do corpo quanto da mente. Encontrei uma página na web (women to women) que é bastante esclarecedora sobre o assunto, e que traz dez boas razões para a gente se masturbar (além, é claro, do prazer em si):

1) Masturbação ajuda a prevenir infecções do colo do útero e ajuda a aliviar as infecções do trato urinário. Embora seja do conhecimento geral que a masturbação regular pode reduzir o risco de câncer de próstata nos homens, os estudos estão mostrando que a masturbação feminina também pode fornecer proteção contra infecções do colo do útero, porque quando as mulheres se masturbam, o orgasmo abre o colo do útero.

2) Em seu livro “Sexo: Uma História Natural”, Joann Ellison Rodgers descreve como o processo de masturbação estica e puxa o muco no colo do útero, permitindo um aumento da acidez do líquido cervical. Isso aumenta bactérias “amigáveis” e permite uma maior fluidez na passagem do colo do útero na vagina. Quando o  fluido “velho” se move a partir do colo aberto, não só lubrifica a vagina, mas também esvazia organismos hostis que podem causar infecções.

3) Muitas mulheres relatam o desejo de masturbar-se quando sentem que estão com infecções urinárias, e por uma boa razão: masturbação ajuda a aliviar a dor e libera as bactérias antigas do colo do útero. É a maneira do corpo de colocar as bactérias para fora.

4) A masturbação é associado com a saúde cardiovascular e menor risco de diabetes tipo-2. Em uma série de estudos, as mulheres que tiveram orgasmos com maior freqüência e sentem mais satisfação com o sexo – se com um parceiro ou não – mostraram ter maior resistência à doença arterial coronariana (DAC) e diabetes tipo-2.

5) Masturbação pode ajudar a combater a insônia, naturalmente, através da liberação hormonal e da tensão. Muitas mulheres se masturbam como um meio para relaxar após um dia agitado ou para adormecer à noite, mas muitas vezes elas não sabem que há uma razão hormonal envolvida. A dopamina aumenta durante a antecipação de um clímax sexual. Após o clímax, os hormônios calmantes oxitocina e endorfinas são liberados, fazendo-nos sentir um calor agradável que nos ajuda a dormir.

6) O orgasmo aumenta a força do assoalho pélvico. Há muitos benefícios de ter um assoalho pélvico saudável. Durante o orgasmo, o assoalho pélvico recebe um verdadeiro treino. O clitóris se avoluma com os picos de aumento da pressão arterial. Tônus muscular, freqüência cardíaca, respiração aumentam. O útero sobe para fora do assoalho pélvico, aumentando a tensão do músculo pélvico. Isso fortalece toda a região, bem como a sua satisfação sexual.

7) Melhora o nosso humor. Masturbação ajuda a aliviar sentimentos depressivos. Como nós ficamos estimuladas, os níveis hormonais de dopamina e adrenalina sobem em nossos corpos. Ambos os hormônios são impulsionadores do humor. Muitos estudos mostram que mulheres que relatam satisfação com sua vida sexual têm uma melhor qualidade de vida em geral.

8 ) Alivia o stress. Em seu livro “For Yourself”, a terapeuta sexual Lonnie Barbach explica que a masturbação pode ajudar a aliviar o estresse emocional, tendo tempo para nós mesmos, em meio às demandas do lar, família e trabalho.

9) Fortalece nossa relação com nós mesmas. Quando sabemos nutrir-nos de amor nos níveis emocional e físico, ganhamos confiança e crescemos através da auto-consciência. Ser capaz de reconhecer, articular e experimentar o que traz prazer é um passo poderoso em direção a auto-realização.

10) Fortalece a relação sexual com o parceiro. Muitos casais têm diferentes ritmos  e necessidades sexuais. A masturbação é uma forma de satisfazer as necessidades pessoais não atingidas pelo companheiro.  Testemunhar um parceiro masturbar-se pode nos ensinar o que eles gostam. Também pode abrir as linhas de comunicação entre parceiros que de outra forma poderiam supor que a “rotina” ainda está funcionando.

Texto: 
por calcinhasnarede http://calcinhasnarede.wordpress.com

Problemas de Erecção

Todos os homens, em algum momento das suas vidas, experimentam algum episódio ou vários episódios de perda de erecção. Dependendo da maneira como vivenciam a situação, bem como da informação que dispõem e da sua própria atitude em relação ao sexo, esta experiência  poderá transformar-se numa possibilidade de aprendizagem ou um “caminho ao inferno”.

Os transtornos de erecção são aqueles que, por algum motivo, interferem no desenvolvimento da fase da excitação, interrompendo a resposta sexual.

Caracteriza-se pela perda de erecção, ou pela perda parcial desta uma vez conseguida.

Muitos autores/as estudaram este grupo de dificuldades sexuais centradas nos problemas de ereccção. Assim, Masters e Johnson falam da “impotência” (conceito que não se utiliza na actualidade) ou, mais recentemente, Kaplan, trata-o como “disfunção  erectiva”, definindo-o como um bloqueio dos mecanismos da erecção  por causas psicológicas, sobretudo pela angustia e o medo do fracasso na relação sexual.

Os problemas de erecção podem dever-se a factores físicos ou psicológicos, sendo as causas, na esmagadora maioria, de tipo psicológico. Quando um homem experimenta um episodio de perda de erecção teme voltar a repeti-lo e esta angustia bloqueia os mecanismos da sua resposta sexual.
Caso um homem consiga uma erecção na sua masturbação, será um indicador de que não tem causa física ou orgânica, sendo a psicoterapia uma resposta eficaz para a resolução do problema.

Na maior parte dos casos não estará afectado o desejo sexual ou a vontade de manter relações sexuais, pelo menos numa primeira fase. Caso não se tente resolver este problema, a maioria dos homens começará a evitar ou a esquivar-se às relações sexuais. Com este comportamento agrava-se o problema, aumentando a ansiedade e o medo de “não funcionar bem” novamente.

Portanto, a causa principal dos transtornos da erecção é a ansiedade. Esta pode afectar de distintas maneiras: alguns homens não conseguem alcançar a erecção durante as fases anteriores ao coito; outros alcançam facilmente a erecção mas perdem-na no momento da penetração, outros imediatamente depois dela.

Isto deve-se à angustia ou ansiedade grave que se activa face à iminência do coito e a ideia de “falhar” nesse momento. Esta ansiedade pode concretizar-se em relação ao medo do fracasso sexual ou à repetição de uma experiência sexual frustrante, embora possam existir outros factores como a falta de estimulação adequada, a excessiva passividade do/a parceiro/a, a monotonia dos jogos eróticos, etc.

Pode ser recomendável uma avaliação médica para que seja possível um despiste de causas orgânicas.

Quando o exame físico não encontra causas metabólicas, neurológicas ou vasculares determina-se que a origem é psicológica e/ou contextual. O acompanhamento psicoterapêutico individual e/ou de casal torna-se, assim, necessário para que, de uma forma confidencial especializada, personalizada e adequada às circunstâncias específicas a pessoa possa voltar a desfrutar em plenitude a sua vida sexual.

Paternidade e Erotismo

O sexo faz bebés. Daí que seja irónico que a criança, personificação do amor do casal, ameace tantas vezes o romance que lhe deu existência. O sexo, que pôs toda essa operação em andamento, é muitas vezes abandonado assim que os filhos entram em cena. Muitos casais apontam a chegada do primeiro filho como o início do declínio da sua vida erótica. Por que motivo desfere a paternidade um golpe tão fatal?

A transição de dois para três é um dos desafios mais profundos com que um casal tem de lidar. Precisamos de tempo – e tempo medido em anos, não em semanas – para encontrar as nossas referências nesse admirável mundo novo. Ter um bebé é uma revolução psicológica que altera a nossa relação com quase tudo e quase todos, desde a amigos, pais e sogros. Os nossos corpos mudam. O mesmo acontece à nossa vida financeira e profissional. As prioridades alteram-se, os papéis são redefinidos, e o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade conhece uma extensa reformulação. Apaixonamo-nos literalmente pelos nossos bebés e sabemos, já que em tempos o vivemos com os nossos parceiros, que a paixão é um estado absolutamente absorvente que empurra tudo o resto para segundo plano. Constituir família exige uma redistribuição de recursos e, durante uns tempos, parece restar pouco para o casal.

Mais cedo ou mais tarde a maioria de nós consegue voltar a reconhecer-se no seio deste novo contexto familiar. É nessa altura que o romance torna a fazer parte do tecido das nossas vidas. Lembramo-nos que o sexo é bom; que nos faz sentir bem e nos aproxima.

Enquanto alguns casais voltam a gravitar para junto um do outro, outros vagueiam por um caminho de mútuo afastamento. Recuperar a intimidade erótica nem sempre é fácil. A questão é que os pais de hoje, independentemente da classe a que pertencem, andam sobrecarregados de trabalho e sentem-se esmagados sob esse peso. Como consequência, deixam o sexo para segundo plano nas suas agendas, reservando-o para quando tiverem terminado de atender a solicitações mais prementes.

Os casais corajosos e determinados que mantêm uma relação erótica são, acima de tudo, aqueles que a valorizam. Quando sentem que o desejo está em crise, tornam-se zelosos e fazem tentativas francas e diligentes no sentido de o ressuscitar. Sabem que não são as crianças quem apaga a chama do desejo; são os adultos que deixam de saber mantê-la viva.


Adaptado de Perel (2008), “Amor e desejo na relação conjugal”